| A tuberculose peritoneal é uma localização pouco freqüente da infecção tuberculosa. Geralmente é encontrada em pacientes com imunodepressão subjacente (HIV, diabetes, drogas imunossupressoras, etc.). A cavidade peritoneal se contamina pela via hematogênica, sendo o foco primário uma infecção pulmonar; ou por extensão local de outros órgãos, como o aparelho genital.
Geralmente cursa com ascite que é produzida pela exsudação de um líquido rico em proteínas, procedente dos numerosos tubérculos implantados no peritônio.
Os sinais e sintomas mais frequentes são ascite (em mais de 90% dos casos), febre e dor abdominal.
O diagnóstico deve ser suspeitado frente a qualquer paciente com ascite e febre. Deve-se proceder a paracentese diagnóstica para análise bioquímica e microbiológica do líquido ascítico. Um líquido com predomínio linfocítico e um gradiente de albumina sérica/ascite <1,1 g/dl é altamente sugestivo. As amostras cultivadas obtidas por biopsia dirigida são as mais confiáveis (95% de diagnóstico positivo). A amplificação por PCR do genoma da micobactéria é altamente sensível (100%) e específica (97%) e por isso torna-se uma técnica muito útil quando disponível. A determinação de ADA com um ponto de corte entre 36 e 40 UI/L também é muito útil, especialmente em pacientes não cirróticos.
Apresentamos vários cortes de TC nos quais podemos notar o estiramento das alças intestinais pela rigidez do meso (figura 1) a ascite densa muito bem detalhada pela reação inflamatória peritoneal (figura 2) e a tração dos vasos sanguíneos pela perda da elasticidade do meso secundário a reatividade fibrótica do processo infeccioso (figuras 3, 4). No entanto, todos estes sinais radiológicos são pouco específicos e não excluem a realização das provas anteriormente comentadas.
Autores:
Juan Valle Puey
Juan I. Pérez Calvo
Serviço de Medicina Interna
María Asunción Vitoria
Serviço de Microbiologia
Hospital Clínico Universitário “Lozano Blesa”
Tradutora: Karina Rinaldo
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